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Numa Tarde de Verão

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As janelas estão abertas. Hoje, o sol apareceu e eu gosto que a luz entre pela casa. O tempo está mais quente, o que também é agradável. Ultimamente, não tenho tido vontade de ter a televisão ligada, apesar do tempo que tenho passado em casa, muito mais do que o usual. No entanto, também nos últimos dias, tenho sentido a necessidade de ter algum ruído à minha volta, nem que seja baixinho. Entro na cozinha e ligo a televisão e nem mudo de canal. Estamos no início da tarde, está a dar um daqueles programas de entrevistas a pessoas conhecidas. Cumprindo a rotina de deixar tudo arrumado, começo a lavar a loiça, ao mesmo tempo que o cortinado dança, quase ao meu lado, pelo movimento da leve brisa que se faz sentir. O sol que entra pela janela, a tranquilidade que vem da rua, sem grandes barulhos, apesar de estar na cidade, transporta-me para aquele local onde me sinto em paz. Regresso àquele sítio que para mim é a minha verdadeira casa. Paro o que estou a fazer. No espaço de um mom...

Fura Vidas - Preciso de um Joca na Minha Vida

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Em tempos onde se passam mais horas em casa dei por mim à procura de uma série que para sempre ficou no meu imaginário: Fura-Vidas, transmitida pela SIC, com o começo em 1999 e término em 2001. É baseada na série Only Fools and Horses, escrita pot John Sullivan. Fura Vidas tem tudo para dar certo: humor, família, cumplicidades, esquemas e trapalhices. Não havia forma de errar, ainda para mais, se têm no elenco Miguel Guilherme. O Quim Fintas será sempre a cara da série, disso não haja qualquer dúvida. Ele é a mente da empresa da Import e Export Fintas&Fintas. Normalmente, é a ele a quem aparecem as oportunidades de negócio, é ele que arranja os esquemas, sempre no desenrasque. E haverá alguma coisa mais portuguesa que o desenrasque? Não creio. Por isso, é que facilmente nos identificamos com a personagem, porque, de certeza, que conhecemos alguém parecido ou até mesmo nós, em alguma situação pensámos ou pensamos como ele. Miguel Guilherme é realmente um homem de um talen...

Suspiro

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Estou no meio de papéis velhos. Sentada no chão da sala, tento perceber o que raio quero fazer a tudo aquilo que está à minha volta. Sei que devia deitar tudo fora, afinal de contas para que quero manter trabalhos e cadernos velhos? Suspiro. Desfazer-me de tudo isto implica ter de ver se não há nada de importante aqui no meio e, para ser sincera, estou cansada. Encosto-me à parede do corredor e oiço como a chuva cai lá fora. O tempo está demasiado doentio. Um calor abrasador acompanhado por nuvens pesadas, que quando bem entendem decidem descarregar toda a água que carregam. Sinto-me cansada de não me sentir bem. É no mínimo curioso como consigo ter duas faces distintas. E eu sei como o faço bem... Há demasiado tempo que é assim. No fundo, creio que já me habituei a mascarar a minha tristeza: finjo um sorriso, enxugo as lágrimas, rapidamente, dissimulo a dor que trago no peito. Às vezes consigo fazê-lo por horas a fio e nunca ninguém se apercebe. "Estás tão bonita...

Por Quem me Tomas?

Caminho em direção à cama sem qualquer tipo de raciocínio. Estou cansada. Sinto-me exausta de tudo aquilo que os meus ombros carregam. Um peso que me suga qualquer tipo de energia que o meu corpo possa ter. É tarde? Não sei.  Olho de soslaio para o relógio na mesinha de cabeceira. Não. Não é assim tão tarde. Mas sinto que não consigo fazer mais nada sem ser fechar os olhos e tentar dormir. A luz do pequeno candeeiro mantém-se firme. Claro. Só assim poderia ser. Quanto mais me aproximo da cama, mais me apercebo de como ele está descansado. Como se nada nem ninguém lhe pudesse retirar aquele ar tão sereno, que me faz sempre questionar o mesmo: como é que ele consegue ser assim? Claramente, que está confortável. Duas almofadas a amparar as costas e uma na cabeça. É sempre uma boa opção, uma vez que o relevo da cabeceira da cama não é muito aprazível. Principalmente, quando se está a ler. Desvio um pouco os lençóis e sento-me ao seu lado. O seu braço que estava est...

O Vírus do Futuro Incerto - 15 Dias de Estado de Emergência

Para mim são quinze dias em que as coisas mudaram. É estranho tudo isto. Agora é em casa. Tem de se fazer tudo em casa. Tem de se arranjar maneira de trabalhar em casa. Temos de estar em casa. Temos de falar em casa. Temos que comer e beber em casa. É tudo em casa. Será terrível para aqueles que não têm casa ou para eles a sensação será a mesma? Não sei. Mas, estarão muito mais expostos do que qualquer um de nós, disso não haja dúvidas. Há, no entanto, algumas coisas que me têm passado pela cabeça quase todos os dias desde que estou a cumprir, quando não tenho de sair em reportagem, o dever do isolamento.  Os profissionais de saúde. Não só pela minha irmã, que é enfermeira e por estar em contacto direto com os doentes infectados pelo novo coronavírus. É claro que penso nela, todos os dias, com a certeza e a confiança na sua conduta, na sua vontade de fazer sempre as coisas bem e proteger-se ao mesmo tempo. O meu coração descansa um pouco por saber isso. Mas, p...

O Amor que Nunca Dançámos

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Assim que dou os primeiros passos é como se entrasse num mundo diferente, sem barreiras ou sofrimento. Como se fosse completamente livre. Há muito que deixei de querer controlar aquilo em que penso quando começo a dançar. Não me importa. É como se nesses momentos fosse realmente eu. E quando somos realmente nós, podemos pensar naquilo que quisermos. E isso é libertador. Penso em ti. Sempre. Nunca dançámos os dois, os sentimentos não nos permitiram esse tempo. Mas, quando agora danço e fecho os olhos é a ti que vejo, sentado naquele muro, ainda em cimento, a olhar para mim como sempre o fazias. E que maravilhoso que era. Agora consigo dar-me conta de como era maravilhoso, talvez na altura não lhe tenha dado a devida importância. Mas, agora... Agora que não te tenho é como se te conseguisse ver ainda melhor. Fará sentido aquilo que digo? Será possível conseguirmos ver alguém, na sua maior plenitude, apenas e só na nossa mente? Creio que sim. Tu mostras-me que sim. Mesmo ...

O Vírus do Futuro Incerto

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Primeiro dia em casa por obrigação e dever. Quem me conhece sabe que não sou uma pessoa de lamurias, de stress evidente, sempre com aquela missão, que faz parte do meu carácter: manter a calma.  No início de tudo isto do coronavírus fui como a maioria das pessoas: "isso não chega cá. Se chegar cá há-de ser uma coisa tipo gripe A" . Pensei que tinha mais do que tempo disponível para continuar a fazer a minha vida do costume. A minha rotina. E como eu estava a precisar de rotinas, de ocupar a cabeça. Uma viagem marcada, trabalhos agendados, saídas combinadas. Em poucos dias tudo mudou. Tudo ficou incerto. Tudo o que tinha como adquirido para os próximos meses foi, simplesmente, cancelado. As pessoas começaram a ficar em casa, as ruas vazias, os cafés quase sem clientes, o trânsito com muito menos tráfego.  "Lena, não andes de transportes públicos. Leva o carro da empresa" - disseram-me vezes sem conta e, realmente, pareceu-me uma boa medida preventiva. S...