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Mensagem Àqueles que Não Têm Noção do que Têm

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Confesso que existem várias pessoas que me irritam. Principalmente, aquelas que têm tudo na vida para serem felizes e passam por cima disso, arranjando esquemas infindáveis para não estarem bem. Não aproveitarem aquilo que de bom têm, aquilo que faz, ou que pode fazer, o ser humano feliz. Porque raio é que as pessoas não aproveitam as bênçãos que têm e seguem em frente? Para quê arranjar desculpas, fantasias, que lhes toldam o pensamento, fazendo com que a sua estupidez influencie a tudo e a todos? Já basta quando nada parece correr bem. Quando os problemas reais acontecem: a falta de amor, a solidão, passar fome, traumas, sofrimentos, incapacidade para ser melhor, incapacidade de sentir... Isso sim, são questões reais que fazem com que paremos. Com que desanimemos, com que passemos a imaginar aquilo que não existe, querendo, por vezes, ficar presos a essa imaginação, porque ela é bem melhor do que a dura realidade. E, por vezes, esse fechar para o que está à nossa volta torna-no...

Ensaio Sobre o Ser Humano

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Quantas vezes não pensamos porque é que não somos iguais aos outros? Porque é que não temos o mesmo que os outros? Porque é que não conseguimos o mesmo que os outros? Porque é que temos de lutar mais do que os outros? Porque é que não somos capazes de atingir os nossos objectivos como os outros? Porque é que não conseguimos fazer aquilo que gostamos ou sonhamos, tal como os outros conseguem? A tristeza de nos sentirmos impotentes perante uma realidade que não estamos à espera pode ser sufocante. Pensarmos que nada do que nos aconteceu acontece aos outros pode contribuir para isso. É aquela revolta que cresce dentro de nós que nos faz querer explodir, mandar tudo pelos ares, virar as costas e ir por outro caminho, que nos consome. Mas, do outro lado, temos a nossa consciência que nos diz que não vale a pena. Que a vida é mesmo assim. Que nada vai mudar. Que até merecemos que as coisas nem sempre nos corram bem, até porque não somos a melhor pessoa do mundo. Ficamos divididos ...

A Simples Simplicidade

É tudo simples. É simples a chegada... A chegada é talvez o mais simples de tudo. Sem cerimónias nem empecilhos, bastando abrir a porta para aí os encontrar. Calmamente, pouso as minhas coisas e o primeiro a trocar é o cumprimento entre ambos. E todos os nossos gestos são tão simples. O abraço, o beijo, o olhar que continua a dizer mais do que as palavras. Bebemos nessa simplicidade dos primeiros momentos do encontro. Tomamos uma bebida quente, é o que sabe melhor a essas horas da noite. Prolongamos a conversa que é uma simples extensão desta nossa certeza de que estamos, novamente, reunidos. A harmonia é aquela que está presente. Não o exagerado êxtase que, por vezes, nos tolda o pensamento e o coração e não nos deixa apreciar cada um dos momentos com o tempo preciso para cravá-los na nossa memória. Por mim, tudo bem. Afinal de contas, toda esta simplicidade permite que aquilo que somos esteja de novo no centro, sem correrias ou imposições. Amarras ou Obrigações. Tudo c...

Perderam-se Um no Outro

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Os seus dedos passam de novo por ela, percorrendo a forma do seu corpo, como que a recordar, novamente, o caminho que as suas mãos fizeram há algumas horas atrás. Tanto um como o outro não se querem perder daquele lugar. Daquele lugar só deles, que acabaram de construir. Lá fora a chuva cai sem parar, porém, ali naquele quarto, é como se estivesse o dia com o sol mais bonito, onde o tempo não passa e a música de fundo apenas dá vontade de fechar os olhos e de a cantarolar baixinho, bebendo naquela melodia única que nos diz que a perfeição neste mundo pode existir. Ela suspira contra o seu peito e acaba por imitá-lo, passando a palma da sua mão pelo seu tronco, sentido e percorrendo as marcas do seu corpo... O relevo da sua pele. Ela sorri. Simplesmente, sorri, como se mais nada quisesse do mundo. Nada mais era necessário para que ela descobrisse onde pertenceria. Ela já o sabia. Ela pertencia, ali, àquele lugar, àqueles braços. Ele tem os olhos fechados, sabendo que apenas...

A Solidez ou a Fraqueza Dos Alicerces do Homem

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A vida pode nunca ser aquilo que vamos esperando dela. Até que desistimos de esperar e apenas andamos ao sabor da maré. Sem nada esperar ou a esperar pelo fim. A impressão que tenho é que quando chegamos a esse fim há a tentação de olhar para trás e ver o que fizemos, mas também aquilo que foi feito connosco. Não sei dizer se no final temos aquilo que merecemos. Vejo pessoas a sofrer até ao fim, sem terem feito nada de mal. Vejo pessoas que não conhecem esse sofrimento entranhado na pele, mas que ao longo do seu percurso se revelaram pessoas mesquinhas, más e sem escrúpulos. Afinal, teremos mesmo aquilo para o qual trabalhamos? Para mim será sempre um desafio olhar por quem sempre tentou e fez o bem... E se o desafio for maior e tenha que cuidar a quem nem sempre foi bom? Esta é uma questão que, por vezes, não me sai da cabeça. A bondade não é relativa. Ou se é verdadeiramente bom ou não se é. O mesmo se aplica ao que é mau: ou se é ou não é. Contudo, quem é mau não pode t...

O Amor Utópico

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Amélia olhava para as pessoas à sua frente e sorria. João e Maria eram perfeitos um para o outro. Os seus rostos mostravam aquilo que devia ser a felicidade... Uma ligação muito pessoal, uma intimidade que se expressa nos pequenos gestos. Ainda bem. Eram felizes e isso é o que importa.  Nada mais.  Tudo vale a pena por isso... Tudo vale a pena para que aqueles a quem se ama sejam felizes. Aos quarenta anos de idade, Amélia nunca tinha experimentado o amor. Sabia o que era, lia isso nos livros, ouvia o que era esse sentimento nas canções de vários músicos, via exemplos disso na televisão. E, secretamente, ela pensava que isso era um máximo. A possibilidade de encontrar alguém em quem se colocava todos os seus sentimentos e confiança para continuar a vida em conjunto... Alguém a quem podia abraçar, mas também poder dar-se ao luxo de se deixar abraçar... Tudo isso, agora, fazia parte da sua cabeça, como se pertencesse a um sonho longínquo, que tinha tomado as formas d...

Até à Próxima, Até Agora.

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Estou a tentar lembrar-me da tua face da última vez que te vi... A forma como sorriste, como abriste os olhos, como falaste, como fechaste os olhos. Estou a tentar, desesperadamente, lembrar-me de todos esses gestos, mas, por alguma razão que desconheço, não o consigo fazer. Talvez seja pelo facto de, se o fizer, essa ser a certeza de que me estou a recordar da última vez que te vi. E, se calhar, o meu cérebro ainda não me permite chegar a essa verdade absoluta, porque, no fundo, eu só quero ter mais uma oportunidade para te ver... Para falar contigo... Para te dar um beijo e dizer, "até à próxima", como tantas vezes te disse. É claro que as lágrimas continuam a escorrer-me pelo rosto, mesmo eu sabendo que isto foi o melhor que te podia ter acontecido. Mas, mesmo assim, custa-me saber que já não vais estar a cinco minutos de mim. Foram muitos anos. Muitos anos em que me ensinaste grande parte daquilo que sou hoje. Talvez, se não tivesse estado nas tuas mãos, não teria conheci...